sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Feliz 2010

2009...Que ano, meu Deus!
Um ano de conquistas, perdas, sustos e mudanças...

Amigos blogueiros, estou completamente em débito com vocês, eu sei. Todos os dias recebo e-mail's de pessoas do Brasil inteiro me fazendo centenas de perguntas, querendo me adicionar no msn e ou Orkut...

Juro mesmo que estou assustado com o "sucesso" deste blog, impressionante como vocês gostam de saber da vida alheia, hehehehehe; e eu de me expor.

2010 voltarei com postagens diárias, atualizado e minha história em ordem (...) aconteceram-me tantas coisas...Há muito o que falar.

Ao invés de responder aos e-mail's como eu venho fazendo, postarei alguns deles aqui, claro que sem identificar ninguém. 2010 abrirei um espaço do PERGUNTE AO JUNNYOR, já que os e-mail's são um interrogatório sobre minha vida e sobre o próprio HIV.

Há uma proposta deste blog se tornar uma Web (.com); estou analisando a parte financeira. Se tudo der certo em breve deixaremos de ser blogspot para nos tornarmos (.com) ou (.com.br). Com vários links, fotos, dicas, enfim...Muita coisa legal para vocês.

Fica então disponível a vocês que tanto me ajudam com que mantenha este Blog vivo, meu msn e e-mail.

FELIZ 2010.
PS: Rio By Copacabana aí vou EU!!! - Pela primeira vez. Realizando o maior sonho de viagem da minha vida!

E-MAIL: cablemodem.net@gmail.com
MSN: uninocente@hotmail.com

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Um Diário Nada Secreto - Capítulo 1

Dizem que um ser humano só é completo quando após ele plantar uma árvore, fazer um filho e escrever um livro. As duas primeiras eu já realizei, e hoje, no meu blog começo a terceira tarefa. Histórias de ficção são o que não falta em minha mente, na verdade eu tenho quatro livros inacabados em meu computador, porém, hoje me veio a idéia - minha vida sempre fora tão conturbada, tão maluca...Por quê não escrevê-la?


Amigos blogueiros, posto hoje o primeiro capítulo do livro cibernético que entítulo como, Um Diário Nada Secreto.


Boa leitura e sejam bem vindos em minha vida.


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UM DIÁRIO NADA SECRETO
MINHA VIDA ANTES DO HIV



          
PRÓLOGO

           Sempre fui um cara que preferiu viver no mundo da fantasia ao mundo real. Este mundo em que todos nós vivemos, sempre foi cruel demais para que eu me dedicasse a ele. Minha infância em Atibaia interior de São Paulo, vivendo sozinho com minha mãe em uma chácara em meio à piscina e um gigantesco pomar, sempre fora muito solitário. 
            Uma infância marcada pelos super heróis japoneses. Meus ídolos da época eram Os Changeman e Jaspion - como eu desejava ser um deles. Passei a infância preso num mundo altista, um mundo só meu, em que eu podia fazer e ser quem eu quisesse, inclusive o Pegasus o Changeman azul. No natal de 1989, após muita birra, ganhei meu uniforme completo de Pegasus, com direito a espada. Todos os dias eu saia correndo pelo pomar lutando contra as goiabeiras, abacateiros e bananeiras alienígenas. Nunca me esquecerei do dia em que subi no pé de goiaba, e com Pegasus incorporado a mim, saltei do topo da árvore crendo que daria um salto mortal. Resultado deste salto, 12 pontos no queixo. Lembrança que carrego até hoje, com uma pequenina cicatriz.
            Meu pai decidira se mudar para Atibaia, sob a justificativa de querer paz. Mal sabíamos que a paz que ele tanto precisava, era a paz familiar. Para ser mais claro e que todos possam me entender, ele sempre saia para o “trabalho” na quarta e costumava voltar dias e ou semanas depois. Minha mãe e eu ficávamos isolados no meio do nada, numa cidade desconhecida. Não era difícil encontrá-la chorando pela casa, mas criança como eu era e perdido em meio aos monstros e mutações heróicas, não dava bola para aquilo tudo.
            Meu primeiro dia de aula na pré escola foi algo inesquecível. Nunca fomos ricos, mas tínhamos uma vida da qual não se podia queixar. Sempre tive tudo aquilo o que quis e na hora que eu quis. Sempre andei com roupas boas, calçados bacanas e no meu quarto era fácil encontrar os melhores brinquedos da época. Logo de cara fiquei um pouco chocado com a aparência externa da escola, que por sinal era muito diferente da minha antiga escolinha. Parecia mais com uma casa do que uma instituição de ensino. O portão era meio enferrujado, feito de telas seguido por um enorme terreno de terra. A palavra grama pelo visto era desconhecido pelos habitantes daquele lugar. Do lado direito do portão estava o parque, que se resumia em um balanço e um gira gira. O quintal da minha casa era sem dúvida dez vezes maior que o pátio da escola. Ao entrar na sala de aula foi outro choque. Meus coleguinhas de classe eram na verdade em sua grande maioria se não todos, filhos de caseiros, que para o meu espanto maior calçavam chinelos de dedos. Tive vontade de sair correndo dali no mesmo instante. Era óbvio que eu estava diante dos maiores alienígenas que eu já vira na vida. Mas eu não tinha opção, não podia fraquejar. Como um bom Changeman, eu tinha que enfrentá-los.
            Meu primeiro intervalo foi assustador, quando inocentemente retirei lanche, bolacha, danone e chocolate da minha lancheira “Jaspion”. Os alienígenas me olhavam de uma tal forma, que eu passei a me sentir o prato principal. Com medo do que podia acontecer comigo, ofereci meu singelo alimento aquela tribo de aborígines. Naquele dia eu acabara de me tornar um garoto popular. E confesso que ser o centro das atenções na escola, foi mais gostoso do que ser um Changeman. A partir de então, todos os dias eu distribuía balas, chicletes e doces a todas as crianças da minha sala. Minha professora dizia, “que garoto bom”. A popularidade era algo pior do que droga, quanto mais eu a provava, mais eu a queria.
            Os dias foram se passando, os meses correndo e as estações mudando. Já não era assim tão difícil ver minha mãe em lágrimas andando pela enorme casa. Eu não sabia exatamente o motivo de tantas lágrimas, mas sabia que o motivo era o meu pai, ou melhor, o motivo era o doador de esperma, porque pai eu nunca tive, assim como minha mãe nunca teve um esposo. Com o intuito de distrair a cabeça, ela se matriculou e um curso de tricô. Todos os dias após a escola eu a acompanhava no seu curso, e ficava lá sentado no meio de dezenas de mulheres que não falavam de outra coisa a não ser homem. Era comum uma e outra relatar suas experiências sexuais com seus esposos, assim como passou a ser comum mesmo eu tendo sete anos, me ver naquelas histórias. O que me atormentava não era o fato de vivenciar aquilo em minha cabeça, e sim de vivenciar ocupando o lugar daquelas mulheres em meio as minhas fantasias.
            Ao lado desta escola de artesanato morava uma tia que eu ficara sabendo de sua existência somente após termos nos mudado para cidade. Sua casa era bonita, assim como seu esposo e dois filhos. Renata era a mais velha, uma prima que para mim fazia juz a família, ela era linda. Evandro era o caçula, alguns meses mais velho do que eu. Assim que o vi pela primeira vez fiquei hipnotizado com a beleza daquele menino, seus olhos verdes brilhavam no sol e seu cabelo era de um liso perfeito.
            A pedido da minha tia, sempre após a aula minha mãe me levava até sua casa para que eu passasse o tempo brincando com meus novos primos. É aí que a minha história começa.
           



CAPÍTULO 1

           

            A reação de qualquer ser humano que se depara com alguém que lhe representa uma ameaça, é confrontá-lo, e foi assim que meu primo me recebeu em sua casa pela primeira vez. Hoje com os meus vinte e seis anos, sei que o motivo de eu não ter tido afinidades com o Evandro, se deu pelo fato de eu o achar irresistivelmente maravilhoso. E ele, de infernizar cada segundo do tempo que eu passava em sua casa. Minha afinidade com a Renata foi instantânea, mal trocamos os nomes e eu já estava em seu quarto vendo seus discos, filmes em VHS e brinquedos. O primeiro brinquedo que pegamos foi um Lego, afastamos a cama e deixamos um campo aberto para montarmos uma cidade maravilhosa. Em momento algum ela ou eu chamou meu primo para se juntar a nós, ele claro entendeu a rejeição de imediato. Encostado no batente da porta do quarto ele me chamou para brincar de carrinho, e eu recusei, porque estar ali com minha nova prima era muito mais interessante do que ficar ao lado daquele par de olhos verdes que sem entender direito me fazia sentir algo estranho.
            Os dias foram se passando, e todas as tardes Renata e eu nos enfiávamos em seu quarto para brincar, apenas nós dois. No dia de seu aniversário, minha prima ganhou uma porção de bonecas Barbie, e no calor da emoção eu a ajudava a desembrulhar os pacotes. Eram umas mais lindas do que a outra, em vários modelos, cores de cabelo, vestuário e preços. Eu sabia que aquilo era brinquedo de garotas, mas não conseguia mais me conter de tanta vontade de brincar com aquelas bonecas. O último embrulho foi uma surpresa para ambos, pois se tratava de um presente diferente de todos os outros, dentro daquela caixa havia um boneco, sim, um boneco do Ken o namorado da Barbie. Agarrei-me naquela oportunidade e imediatamente a chamei para brincar de bonecas, pois eu não estaria com uma Barbie e sim com o Ken. Meninos podiam brincar com bonecos e não com bonecas. Pelo menos era isso o que eu pensava. Me ver ali entretido com as bonecas e boneco da minha prima, foi o prato cheio para meu primo começar a me chamar de menininha. Minha prima se enfurecia todas às vezes, e com sua estatura de nove anos, batia-lhe sempre em minha defesa.
            Foi num final de semana chuvoso que eu provei do pecado pela primeira vez, dentre tantas outras que viriam. Estávamos na rua em frente a casa deles, jogando queimada com algumas outras crianças, quando o céu resolveu desabar. O que não é de se espantar, e como todos já fizeram isso na infância nós também decidimos ignorar os gritos da minha tia e sair correndo pela rua tomando banho de chuva. A sensação de liberdade e de fazer algo que era errado era o máximo. Sabíamos os três que assim que voltássemos para casa levaríamos uma bela surra, meu tio sempre fora do método “dar umas porradas para ver se aprende”. Tempos depois decidimos que era hora de encarar a realidade e voltar para a casa. Assim que chegamos vimos um tumulto nada casual na garagem dos meus tios. Várias pessoas ali aglomeradas, conversando, rindo, cantando, dançando, bebendo e comendo muita carne de churrasco. Para a nossa sorte todos estavam alegres demais para se lembrarem do cinto e ou chinelo. Minha prima foi a primeira a corre para o chuveiro, enquanto o Evandro e eu ficamos em meio a multidão encharcados, comendo e bebendo. Assim que a Renata saiu do banho, meu primo correu para o banheiro, mas parou de repente quando ouviu a manifestação da minha tia.
            - Junnyor vá pro banho com o Evandro, antes que você fique gripado. – ele olhou para trás e eu bem menor do que ela olhei para cima.
            - Eu não vou tomar banho com ele. – respondeu meu primo completamente indignado.
            - E qual o problema moleque? – perguntou meu tio enquanto abanava o carvão da churrasqueira – o que ele tem você tem, e além do mais vocês são primos. Vai com ele Junnyor que seu pai já ligou e logo estará aqui.
            Saber que meu pai estava chegando foi à notícia mais maravilhosa que eu poderia receber naquele dia, e foi naquele momento que entendera o motivo de tantas gargalhadas da minha mãe. Meu pai voltaria para nós depois de sei lá quantos dias fora de casa. Sem pensar duas vezes eu corri para o banheiro, chegando muito antes do meu primo. Assim que entrei me esforcei para ligar o chuveiro, mas eu não conseguia alcançar. Evandro entrou logo em seguida e após trancar a porta foi tirando sua roupa sem o menor pudor. Não me senti confortável em vê-lo nu e tão pouco de fazer a mesma coisa. Esbarrando com rispidez em meu ombro ele abriu a torneira e entrou no banho, eu ainda envergonhado sentei na bacia da privada e fiquei observando-o. Ele tinha a mesma idade que eu, sete anos, mas era mais alto e mais forte. Suas pernas eram fortes e o bumbum bem redondo. Ele estava de costas para mim e vê-lo naquele ângulo me fez sentir uma coisa que até então eu nunca havia sentido e como consequência senti aquele pequeno vermezinho se levantando entre minhas pernas.
            - Enquanto eu passo o sabão em mim, você entra aqui debaixo – disse meu primo.
            - Tá. – foi a única coisa que eu consegui responder.
            Retirei minha roupa e imediatamente ele se manifestou.
            - Por quê seu pinto está assim? – perguntou apontando para mim.
            - Não sei. – eu não estava mentindo. – Dá licença então pra eu entrar na água.
            - Com o pinto assim você não entra aqui. – afirmou – só se você deixar o meu igual o seu. – disse com um olhar sacana, se é que se dá para imaginar uma criança de sete anos com um olhar sacana.
            - Mas como faço isso? – perguntei ingenuamente.
            - Como que o seu ficou assim?
            - Não sei, acho que foi quando vi você pelado – ao ver a reação dos olhos esbugalhados dele, corri em minha defesa – não conta isso para meu pai.
            - Só se você deixar o meu pinto igual o seu, aí eu não conto. – e olhando para mim completou – seu pinto é estranho, tem esta coisa aí – e apontou para a pele que cobria a cabeça do meu pênis. E foi então que percebi que ele não tinha a mesma pele que eu, a cabeça dele era toda desprotegida. – meu pinto não é estranho.
            Assim que entrei debaixo da água eu me virei para a parede ficando de costas para ele, pois eu estava envergonhado e com medo.
            - Fica virado assim que eu acho que o meu está crescendo também. – quando ouvi isso imediatamente me virei para ele e pude ver que mesmo tendo a mesma idade, o pinto dele era maior e mais grosso do que o meu. Coisa que também me deixou intimidado. – fica do jeito que você estava ou eu conto tudo para o seu pai. – fiz o que ele mandou mas creio que não foi pelo medo de apanhar.
            Alguns segundos depois eu senti uma coisinha se esfregando atrás de mim. Me arrepiei inteiro, eu sabia o que era mas não tinha certeza. A constatação veio quando ele me abraçou por trás e disse que ia fazer comigo igual ele vira meus tios fazendo um dia. Ele sentou na privada do banheiro e com o pinto endurecido pediu para eu sentar em cima. Mesmo sem saber muito como era, eu o obedeci porque uma força maior do que eu me levava a fazer isso. Sentei no meu primo e não sentia nada além de uma coisinha esfregando no buraquinho da minha bunda. Aquela estava sendo a sensação mais gostosa que eu já provara em toda a minha vida. Não sei por quanto tempo ficamos naquela esfregação, mas naquele dia, inconscientemente nós havíamos nos esfregados em todas as posições que um sexo permite. Desde então, minha prima passara em segundo plano e minha amizade com ele se intensificou de uma forma prazerosa.
            O tempo que eu ficava na escola para mim se tornou um martírio, eu ficava contando os segundos para aquela porcaria de aula acabar, para que eu pudesse ir para a casa dos meus tios e me esfregar com o Evandro. Eu mal chegava e ele já me chamava para ir brincar no quarto dele. Entrávamos e ele trancava a porta já com o pinto duro para fora. Numa dessas tardes eu aprendi que por a boca num pinto, também não era nada desagradável.
          

domingo, 6 de dezembro de 2009

AMIGOS BLOGUEIROS

Primeiramente peço perdão a todos pelo o meu total relapso em relação aos comentários feitos por vocês em meu blog. Prometo que a partir de hoje ficarei mais antenado e os responderei sempre na medida do possível.
            Como prova de cumplicidade, deixo meu MSN e e-mail disponível a quem possa interessar.


            Pelos comentários eu notei diversos elogios, assim como críticas também. Agradeço-os por ambos. Em primeiríssimo lugar quero me desculpar com o Paulo Giacomini. Paulo, eu não sabia que aquele logotipo era privado. Eu digitei AIDS em Google Imagens – e apareceu o seu logo -, achei-o bacana e por isso eu o selecionei. Mas após ver seu comentário e consequentemente o seu blog, retirei-o imediatamente.  

            SOCIALIZANDO – eu respeito demais a sua opinião, mas infelizmente não há como seguí-la, pois eu estaria indo contra a minha identidade. Sou um cara realista, porém, muito sonhador. E eu ainda acredito no amor verdadeiro entre duas pessoas, seja homossexual ou heterossexual. Em tempos de valores perdidos, se eu perder também a fé no ser humano, de que adiantará viver? Eu tenho todos os motivos do universo para deixar de acreditar nas pessoas. Sempre fui apunhalado nas costas por amigos, nos relacionamentos sempre fui traído e como “brinde” me veio uma doença. Mas ainda assim, eu sonho com um amor. Sonho sim, com o dia em que alguém fará minhas pernas tremerem, coração palpitar só de ouvir o nome, de andar nas ruas e vê-lo nos rostos de quem quer que seja (...); sou assim. Sou romântico, sonhador e até mesmo tolo. Mas este é o Junnyor. Jamais me envolveria com alguém por conveniência, mesmo que isso possa soar contraditório, uma vez que meu último relacionamento chegou a ponto da “conveniência”; mas quando ele chegou a tal ponto, acabou-se. Hoje estamos juntos? Sim! Aos poucos ele está demonstrando que mudou, e eu sou exigente demais, esperando demais...Querendo que ele me faça sentir, aquilo o que fez um dia. Sei que ele não é o meu grande amor, mas é alguém que cuida de mim e ao qual tenho um carinho enorme, a ponto de sentir saudades e ficar sem ar quando o beijo. Não é a minha maior paixão, ou melhor, não é o amor que eu sonho em ter, mas também não é uma pessoa que estou simplesmente por não ficar sozinho, entende?

ANÔNIMO – transar sem preservativo é mal caratismo? Concordo com você. Não me sinto o máximo por ter transado “mesmo que por alguns segundos e ou minutos, com o rapaz X”, mas eu também não me sinto péssimo. Temos que entender que cada um é responsável pelos os seus atos. Se ele se contaminar e processar, terei que encarar a responsabilidade do meu ato, assim como ele terá que arcar com a responsabilidade do ato dele em transar sem camisinha. Seria muita ingenuidade da nossa parte acreditar no primeiro que aparece em nossa cama. Cuidar de sua vida depende unicamente e exclusivamente de cada um e não de uma terceira pessoa. Com tal atitude eu poderia até mesmo estar pegando outras DST’s. Mas aí eu teria que arcar com o resultado final do meu ato. Anônimo, entenda que cada um é dono de si. Sua felicidade, saúde, paz, harmonia, e tantas outras coisas, não depende de uma terceira pessoa e unicamente de você mesmo. Não me isento de culpa, mas não me acho tão ruim e tão mau caráter como você mencionou. Mas respeito a sua opinião. Mas lembrem-se: a sua vida depende de você! Se cada um não se cuidar, não é o terceiro que tem culpa. Tanto é que eu nunca culpei o meu ex esposo por ter me infectado. Eu o condeno por ter me traído enquanto eu ficava em casa lavando, passando, cozinhando e limpando para ele; mas se eu optei em transar sem camisinha com ele, foi porque eu cai na burrice de achar que o amor é a melhor vacina para qualquer tipo de doença. – E NÃO É!

MARQUINHOS PETER – Você tem absoluta razão. Em um relacionamento é imprescindível que ambos estejam apaixonados. Não há como levar um namoro à diante com apenas uma pessoa amando por duas. Por mais que se empurre isso com a barriga, chegará um momento em que não haverá mais saída, e quanto mais tarde mais dolorida será a sensação de frustração...Fracasso. Espero que você esteja bem, querido.

SOCIALIZANDO – mais uma vez eu respeito a sua opinião. Porém, cada um segue sua vida da maneira que melhor lhe convém. Eu ganho a vida com a minha imagem. Neste momento eu não me considero preparado psicologicamente em levantar a bandeira de um portador do HIV, e tão pouco saberei lhe responder se um dia farei isso. Se assumir como portador é uma individualidade de cada um que não deve jamais ser questionada. Eu não tenho pretensões de me tornar um mártir da causa do HIV. Sou só mais um que está lutando contra a maré, tentando sobreviver e ser feliz. Apenas isso e mais nada.

THE ICE GIRL – muito obrigado pelas palavras de carinho, conselhos e dicas. Quanto ao logo do blog, se alguém quiser criar um e me doar (hehehehehe) eu agradeceria demais. Em que comunidade encontro o Mateus? Quem sabe ele possa fazer isso por mim. Isso o que você disse de viver um dia de cada vez, é o maior trabalho que eu faço na terapia, pois eu sempre fui assim, sempre sofri por antecedência. Mas juro que estou trabalhando isso. Isso é tão bizarro que a prova disso é que eu nunca mais me encontrei com o Maurício.

ELEN – Agradeço por suas visitas e por suas palavras de carinho. Um beijo, querida.

ANÔNIMO – Nossa! Foram tantas coisas escritas que sinceramente eu não sei nem por onde começar. Serei breve:
Minha decisão em criar um blog, foi justamente criar um blog apenas e nada mais. Eu jamais imaginaria que teria esta repercussão imensa. Chego a ter em torno de mais de 100 visitas diárias, confesso que isso me assusta. Fico com receio de postar aqui – será que eu posto isso ou aquilo? Mas isso pode ser mal interpretando...Posso influenciar alguém, mesmo eu não tendo a intenção -, mas aí eu decido colocar tudo o que me vem à mente sob a justificativa de que cada um é dono de seus atos. Quanto a citação, “novela e ou atriz mexicana”, mais uma vez eu digo. Cada um tem uma maneira de encara a realidade. A minha sempre foi esta! Desespero exagerado. Sou assim, e aos leitores do meu blog ou já sacaram e compreenderam, ou já se acostumaram...Ou não voltaram mais. Mas este é o Junnyor. Um homem de 26 anos, mas espírito de 15. Por muitas vezes um homem assustado e com indagações infantis que não condiz com minha idade. Tenho consciência disso, assim como também tenho o discernimento de agir como um homem da minha idade. Sou homem, sou criança, sou bebê, sou idoso – sou aquilo o que o momento me permite ser. Nunca fui de ter diário e muito menos de ficar expondo meus sentimentos a quem quer que fosse, mas confesso que esta experiência está sendo nova e muito interessante. Principalmente pelo número diários de acesso, o que prova que há muitos malucos cibernéticos compartilhando das minhas sandices – como você mesmo postou -. Em momento algum fui contra as ARV’s ou a quem as toma. Pelo contrário, por mim eu já estaria com a medicação há muito tempo. O que eu questionei foi: como namorar um (-) sem contar a ele que sou (+), tomando medicação? E minha segunda citação foi: Não sei se estou preparado para me relacionar com alguém como eu.
Lembrando que isso eu postei a 4 meses atrás, quando não tinha a menor idéia das coisas. Momento em que eu estava desesperado e achando que o mundo iria acabar no dia seguinte. Quando mencionei que não sei se eu estava preparado para namorar um (+) e sob medicação de ARV’s, porque assim que me descobri (+), conheci um ser que disse apresentar maior risco a mim, uma vez que ele já tomava medicação. Hoje eu sei que isso é uma besteira, mas na época eu abracei a causa, era desinformado.
Não consegui compreender o porque de você insistir no argumento “rico, dinheiro, beleza, etc”. Mas enfim, só para que fique claro: se nós não nos acharmos bonitos, como convenceremos a que outros nos achem? Riqueza e dinheiro são nada diante do presente que é a Vida, e eu passei muito longe da riqueza. Dou um duro danado para conseguir juntar 700,00 ou 900,00 reais no fim do mês.

ANA – No período de um mês e meio que fiquei sozinho...Fui neurótico só por alguns dias, logo depois eu segui seu conselho ao pé da letra. Beijos minha querida.

  





sábado, 5 de dezembro de 2009

Medo - Vida

O medo faz parte do ser humano. É com ele que aprendemos a lidar com tantas coisas a qual somos submetidos a passar nesta vida. Mas é ele também que pode nos levar ao fundo do poço.
            Não sou a pessoa mais corajosa do mundo e nunca fui. Hoje, parando para pensar no meu futuro, fico me perguntando – “O que será de mim daqui a um tempo?”. Tenho medo do que eu ainda terei que enfrentar.
            Por mais evoluções que possa haver, o HIV ainda é uma doença misteriosa. Fiquei mal ao assistir a reportagem do SBT Repórter (http://www.sbt.com.br/videos/?catid=832), e ver que além do coquetel para o HIV, ainda há o coquetel de medicação para combater os efeitos colaterais. Não sei como lidarei isso tudo.

            Hoje eu tenho alguém ao meu lado, mas tenho medo de um dia não ter mais. Ele é saudável, pode muito bem se cansar e querer viver ao lado de alguém sem problemas algum. Tenho medo da solidão e da solidariedade. Não quero que sejam solidários comigo, tenham dó de mim, quero apenas que me amem como eu sou. Tento ao máximo não fazer do HIV uma condição de vida, mas há momentos que isso é difícil.

            A doença ainda não se manifestou no meu organismo, portanto eu ainda não sei o que é de fato, ser portador do HIV. Mas uma coisa eu posso afirmar – não é fácil.
            É triste acordar todos os dias e saber que o inesperado me espera. Entendo que independentemente da sorologia de cada um, ninguém sabe como será o amanhã, mas no meu caso eu fico imaginando, elocubrando (...) Me assusto quando me vejo deitado numa cama de hospital em meio aos meus devaneios.

            Tenho medo de morrer sem ter convivido com o meu filho. Cada dia que eu passo longe dele, é como um dia sem vida. Cada vez que tenho notícias dele, fico imaginando se ele está bem sem a minha presença.

            Sinto-me péssimo em saber que diante de tantos sofrimentos que minha mãe já teve de passar na vida, eu ainda a “presenteio” com a minha homossexualidade e minha sorologia. Ser gay não é doença, não é problema, - mas nenhuma mãe deseja que o filho seja gay, eu pelo menos não desejo isso ao meu meninão – e sei também que não sou isento da culpa de ter o vírus. O meu maior erro foi confiar. Carrego este peso comigo. Não sou uma má pessoa, não sou promíscuo, drogado e ou irresponsável. Mas não posso afirmar que fui um filho exemplar. Ela vive me dizendo que eu a encho de orgulho diante da minha luta, tanto pessoal quanto profissional; mas será?

            Não me arrependo de nada do que fiz, mas se eu pudesse voltar no passado e reescrever a minha história, com certeza eu tentaria fazer tudo diferente. Infelizmente o Efeito Borboleta, só acontece em Hollywwod.

            Mas também não posso culpar a doença em 100%. O HIV me mostrou que a vida é muito mais do que simplesmente vivê-la, a vida é VIDA! Me mostrou que amigos são importantes, mas que a família é fundamental, indispensável e insubstituível. Somente hoje é que eu olho para mim com mais cuidado, vejo que não sou apenas um corpo e sim uma vida.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Semana Internacional do Combate ao HIV


Estamos na semana mundial do combate ao HIV. Dia 1º de dezembro, ao ligar a televisão era comum vermos reportagens, especiais e campanhas publicitárias com o foco neste tema. É triste saber que tal campanha só ocorre na primeira semana de dezembro, mas ainda assim, mesmo que fosse abordado em outros dias do ano, será que traria resultado?

Em entrevista ao SBT Repórter, dois jovens disseram algo realmente preocupante. Sob a pergunta da repórter “qual o momento em que se deve deixar o preservativo de lado”, uma garota respondeu, “quando começa a tomar pílulas?”, outro respondeu, “quando se está namorando sério, porque você passa a confiar na pessoa e consegue saber se ela está mentindo ou não”.

Infelizmente isto é uma realidade. As grandes maiorias das garotas associam o preservativo com a gravidez, e os meninos justificam a ausência dele no álcool. Diante de tal informação, não é de se admirar que a cada ano cresce o número de portadores do HIV. Tomo eu como exemplo, e espero que você leitor do meu blog, entenda isso de uma vez por todas!

HIV não tem cara.

Eu confiei, acreditei e amei. Foi em um casamento de 3 anos, que eu adquiri a minha sorologia positiva. O amor não é imune ao HIV. Por favor, entendam isso.

Sou portador do vírus, mas confesso que ainda não sei o que tê-lo. Sei que terei muitos desafios a enfrentar pela frente, mas ainda não sei quais e como lidarei com isso. Tive a sorte de descobrir minha sorologia logo no início. Segundo a contagem feita pelo o meu infectologista, devo estar infectado a cerca de 3 anos. Foi num exame de rotina que descobri. Ainda é muito cedo, meu CD4 está muito bom e minha carga viral bem baixa. Mas os dias irão passar, o vírus se manifestará no meu organismo e o inevitável ainda irá acontecer. Para eu passar de HIV a AIDS, é uma questão de tempo.

Com todo esta minha história, quero reforçar que o HIV não tem cara. Quem me vê, jamais passa pela a cabeça da pessoa que sou positivo. Um rapaz alegre, saudável e bonito. Prova disso foi a minha última relação sexual, onde o rapaz se sentiu confortável em transar comigo sem camisinha. Sou a prova viva de que o HIV pode ser lindo e atraente. Cabe a cada um preservar sua vida.

Atualizando meu cotidiano.

Aquele rapaz com quem eu estava saindo, acabou. Fui rejeitado pela segunda vez. Acho que já estou me acostumando com isso. Visto que a nossa química estava crescendo e com isso, a probabilidade de um novo romance nascer achei coeso ele saber o que carrego em meu sangue. O que aconteceu não foi nenhuma surpresa, ele fugiu. Mas o que me assustou, é que mesmo ele sendo um professor, um formador de opinião, ele me disse à besteira: “Caraça, e nós nos beijamos (...)”. Não dei a resposta que ele merecia, deixei-o em sua ignorância. Uma pena, porque eu realmente estava gostando dele. Mas vale dizer que ele não é uma má pessoa, de uma certa forma eu até o entendo, ele se assustou diante de uma situação inédita em sua vida e não soube como lidar com isso. Torço pela felicidade dele.

Decidi que irei investir no meu ex relacionamento. Ele já não me trata mais como um ficante. Ainda não transamos e isto está me incomodando demais. Já deu tempo dele amadurecer a idéia e me encarar. Não dá mais para ficarmos somente com preliminares. Não forcei a barra até agora, porque quis dar este tempo a ele, porém, o maior desgaste do nosso relacionamento de 4 anos, se deu pelo fato de ele ser extremamente cômodo em tudo na sua vida. E estou notando que ele já se acomodou a não transar comigo. Amanhã durmo na casa dele, com certeza rolará um tesão, se não houver sexo eu não darei continuidade e direi a verdade – já é tempo!

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

A encrenca está no ar...

Como relatar sobre minha vida atual? Uma encrenca sem fim!
Ou melhor, uma encrenca que pode ser que aconteça.

Estou com o meu ex (aquele que me rejeitou) - não estamos 100%, mas não por ele, e sim por mim. Não sei se gosto dele, mas ao mesmo tempo eu não consigo terminar. Não sei explicar, é uma doideira. Bem verdade que eu me acostumei com a Cia. dele, e é cômodo para mim estar nesta relação uma vez que ele sabe da minha sorologia e me aceita como sou. Mas por outro lado, ele não quer uma relação com os compromissos que há quando se está namorando. Pelo o que eu entendo, ele quer estar comigo, mas se eu cair numa cama de hospital amanhã ou depois, ele não quer ter a obrigação de ter que estar ao meu lado, uma vez que para ele somos apenas ficantes. Mas ficante de ex esposo, é o fim de carreira. Não sei o que faço. Na verdade sei, mas não quero fazer.

Já comentei, mas eu estou doido de vontade de conhecer alguém que possa fazer minhas pernas tremerem, meu dedos entrarem em pane ao atender o celular, de sentir aquela dor no peito de tanta saudade - quero sentir novamente os sintomas da paixão.

Conheci algumas pessoas no site do RADAR e na comunidade do Orkut - HIV BRASIL. Troca de msn e papo vai e papo vem, acabou que conheci pessoas muito bacanas. Dois estão doidos para me conhecer...E são pessoas que querem levar algo adiante, sério e verdadeiro. Mas eu não consegui sentir aquele tesão a ponto de querer encontrá-los e ver no que vai dar.

E agora entra outra história.

A dois anos atrás eu lecionei numa escola aqui da minha cidade, e uma professora acabou se apaixonando por mim. Eu sempre resisti as investidas dela, e sempre consegui sair pela tangente por achar desnecessário falar da minha opção sexual no ambiente de trabalho.
Acontece que esta semana ela pediu para que uma amigo dela, que hoje leciona nesta mesma escola, me adicionar no orkut (original) para tentar descobrir se eu sou gay mesmo ou não.

O fato é que eu o aceitei, e nos conhecemos ontem. Jantamos fora e depois fomos para a casa dele. Ele é uma gracinha, tem 25 anos, louro (...) um gatinho mesmo.
Ele divide a casa com mais duas outras professoras. As conheci e fomos para o quarto dele -somente nós dois -. Assim que entrei ele me beijou. E que beijo. Nossa...Senti uma coisa subindo pela a minha espinha...complicado de descrever.

Acabou que ficamos e dormi na casa dele.
Foi tudo de bom. Transamos a noite toda. E ele é muito bom no que faz.
Na segunda transa...Entorpecidos de tesão, eu o penetrei sem preservativo...Fiquei ali por uns dois minutos, mas olhei para o rostinho dele e me bateu uma dor na consciência, e tratei de por a camisinha sabor UVA que ele tinha.

Ele já está todo gamadinho...e eu não estou com aquela sensação de apaixonado, mas estou feliz por tê-lo comigo...e aí segue o que eu postei na comunidade HIV BRASIL:

"Passei por isso esta noite...

que dilema o nosso, não é?

Mas eu fiz um pouquinho sem...mas aí a consciência pesou e coloquei.

Isso é o que me deixa muito puto. Pq transar sem preservativo, para mim é uma troca de cumplicidade, confiança (...)

Ingenuidade, pq peguei o vírus num casamento...mas sei lá.
Não que eu confie plenamente no carinha que estou conhecendo...mas...

O foda é que ele comentou que era doador de sangue...ou seja...?!

Entramos neste assunto, pq ele tbém é professor e disse que quando está muito estressado ele vai doar sangue e assim consegue abonar o dia.

Fiquei meio sem ação...mas pensei comigo assim: como meus namoros nunca duram mais que três ou quatro anos...e nós temos tudo para vingar um romance...e a perspectiva de eu começar com a medicação é de 5 anos...vou viver esta minha última relação, de forma tranquila. Só não posso nunca mais me deixar levar pelo tesão, e ser consciente.

Mas é foda!"

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Hoje eu estou naqueles dias em que nada que faço está bem.

Poxa vida! Eu estava tão bem até o Edu aparecer do nada com este papo de reatarmos nosso relacionamento. Eu acordava e dormia bem, feliz (...) e agora passo o meu dia neste clima péssimo, e tudo por causa dele. Ao mesmo tempo eu não consigo me desvincular dele.

Esta noite conversamos por msn (...) as coisas que ele me disse foram foda demais.
Hoje mesmo, por exemplo, ele não me ligou, não me mandou um torpedo e tão pouco um recado no orkut! Se ele pensa que eu farei isso, estará muito enganado!

Se até amanhã ele não der sinal de vida, vou enterrá-lo em meu passado.

Eu estava conversando com minha amiga no domingo, que eu eu estou sentindo falta de me apaixonar, de amar de verdade. De ficar com as pernas bambas ao ver a pessoa, de sentir o coração disparar só de ouvir o nome, ver os dedos tremendo ao atender o telefone (...) queria me apaixonar. É tão bom!

Mas pelo visto (...)

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

A estréia da peça foi um sucesso!
Somente críticas boas, graças a Deus!
Pelo visto, faremos uma linda temporada.

Retirei do meu blog a divulgação da peça, e explicarei o porque.

Viver com esta sorologia, pelo menos para mim, chega às vezes ser complicado. Tenho vontade de dizer a algumas pessoas, mas não tenho coragem até mesmo por não saber qual será a reação de cada um. Por vezes, me sinto um impostar para com aqueles que amo.

Pois bem. Um dos atores da minha peça, sem querer descobriu meu blog, logo, descobriu que eu sou soropositivo. A princípio isso me deixou grilado. Sempre adorei ele e mesmo não o conhecendo bem, ele me passava confiança.
Já conversamos sobre isso, e sei que posso confiar nele. É tão boa a sensação de olhar para um colega que se estima, e saber que não há segredos.

Não sei explicar, mas é como se um peso a menos das minhas costas tivesse se esvaído.
Não devo sentir culpa por nada, porque a vida é minha. Mas o olho sem culpa. é difícil de explicar.

Mas resolvi tirar a postagem, porque eu dei sorte de um cara do bem, de luz, estrutura familiar e boa cabeça ter descoberto. Mas poderia ter sido qualquer outro. Se bem que, eu não duvido que outros do elenco tenham descoberto, só estão na surdina.

Pois era só digitar o nome da peça no google, que meu blog era mencionado.

Para os que sabem, é isso aí mesmo.
Aos que não sabem (...) UFA, por um lado e (...) sei lá pelo outro.

ATUALIZANDO

Postarei aqui o mesmo conteúdo que acabo de postar numa comunidade relacionada ao HIV, do Orkut.

Não li todas as postagens, mas assim:

Há relacionamentos e relacionamentos.

Em tese, o Kyle está certo numa parte. O (-) sempre terá uma certa neura.
Nesta comunidade eu sou odiado por alguns, amado por outros e para tantos me caibo no termo "não fede e nem cheira". Independentemente do que pensam de mim, uma coisa é fato:

- Sempre fui muito transparente, tanto aqui quanto em meu blog.
Uso os dois veículos de comunicação, quase, se não o próprio diário mesmo.

Quando descobri minha sorologia e revelei ao meu namorado, ele teve a mesma reação do cara que o Kyle mencionou, só não usou o termo aidético.

Terminamos e um mês depois ele me procurou dizendo que me amava e que me queria de volta, e bla bla bla. Porém, ele pediu para eu entendê-lo e deixar que as coisas fluam naturalmente, sem pressões. E que juntos, voltaríamos a ser como éramos antes.

Estamos juntos a pouco mais de 15 dias, ou já fez um mês, sei lá; ainda não tivemos relação (com penetração). Ele ainda não se sente seguro.

É uma situação complicada. No inicio eu achava que tudo bem, por gostar dele e por ter concordado em irmos devagar. Mas confesso que esta história já está me enchendo o saco. O mundo está girando, meus dias passando e pretendentes a mil, basta sair a procura, isso para qualquer um.

Aí me bate a questão:

- Vale mesmo a pena ficar com um cara que não se esforça em transar de verdade? Quando ele pediu um tempo, achei que isso representava no máximo alguns climas calientes (...) já tivemos vários e ainda nada.
Quando ele passou a fazer oral em mim sem preservativo, a principio eu não deixei. Ele insistiu e eu deixei a camisinha de lado. Achei isso uma grande evolução, eu certamente não correria tal risco se fosse o contrário. Com isso, pensei - daqui para a transa será um pulo - o que não é surpresa, como em tudo na vila dela, esta se tornou uma situação cômoda. Estagnou.

Em contra partida, os (+) que conheci, foram pessoas frustradas, "noiadas", e o que mais me irrita, donos daquele argumento - Você tem HIV eu tenho HIV, você tem que me namorar" - E não é assim. ninguém tem que nada. Só porque somos (+) não significa que há uma lei para que nos relacionemos.

Conhecendo um pouco mais, tive outra constatação. O mundo gay por si só é promiscuo, gay e (+) parece que chega a ser pior (salve algumas exceções).

Ainda não sei que decisão tomarei em relação ao meu atual relacionamento, porque de verdade - eu não preciso disso. - mas ao mesmo tempo, eu penso que se terminar, não ficarei buscando por (+) ou (-), apenas ficarei no sinal verde. O que aparacer, apareceu.
Se for um soronegativo (...) se eu vou contar (...) ? Não sei. Mas de uma coisa eu tenho certeza, tomarei todos os devidos cuidados para não infectar quem estiver comigo.

Relacionamento por si só já é complexo, na nossa situação então (...)

Esta postagem foi em resposta à abertura de um tópico, no qual um dos membros da comunidade cita não acreditar na relação entre sorodiscordantes.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

ATUALIZAÇÕES - PASMEM!!!

05 de outubro de 2009

15h35

Que o meu casamento já estava acabado e que não havia mais como resgatá-lo, já era certo. Mas comprovar isso é que foi difícil. O que mais me surpreende é que eu não estou sofrendo, não estou aos prantos, não estou depressivo, desolado, desesperado. Eu estou bem! Isso mesmo, eu estou bem.
É correto sentir-se bem com o fim de um casamento de 3 anos e meio? Este foi o máximo que eu cheguei até hoje com um namoro.
Bem verdade que o nosso namorou já começou errado. Eu não o amava, tinha nele um refúgio para esquecer o Gael. Fui até mesmo maldoso, usei-o como conforto e para fazer ciúmes ao então meu ex, e que até hoje acredito ser o meu grande amor.

Um pequeno parêntese
(Neste momento, enquanto escrevo meu relato, assisto a reprise Alma Gêmea. A novela que marcou meu casamento com o Gael. – Ironia?)


No inicio o Be era completamente apaixonado por mim, e eu não a dava a mínima a ele. Os meses foram passando, e o sentimento começou a se igualar. Com um pouco mais de um ano de namoro é que eu passei a gostar do Edu como um namorado deve ser gostado. Mas ainda assim, não era amor. Neste último ano, com todo o desgaste do casamento, ele deixou de gostar de mim. Por mais que ele dissesse que me amava, e etc e tal; eu via e sentia que isso não era verdade.
Ele deixou de me amar e eu achei que estava amando-o.
Hoje, de volta em minha casa vejo que esta ausência do sofrimento é a prova de que eu não o amava. Talvez houve um “gostar” um dia, mas o relacionamento foi se desgastando de mais e assim como ele mesmo admitiu (80% de culpa dele e 20% de culpa minha). Eu lutei até onde pude, fui mais submisso do que qualquer pessoa poderia ter sido (...) por muito mais tempo que ele merecia.
Bem verdade que por mais que eu não goste de ficar aqui, por mais que eu odeie este bairro em que minha mãe mora, esta cidade, esta casa (...) tudo! Eu estou em paz! Acordo e durmo sem ter que encarar aquele relacionamento chato em que estávamos vivendo.
Hoje eu tinha consulta com a minha psicóloga, mas eu não fui. Me questionei várias vezes se deveria ou não ir, mas para quê? Ficar lá sentado e só falando não me ajuda em nada, se ela ao menos opinasse em algo, me ajudasse a tomar certas decisões (...), mas somente eu falo, falo e falo. Falar por falar, eu prefiro escrever. Também não fiz questão de ir justamente pelo fato de eu estar bem.
Foram 3 anos e meio de alegrias e tristezas. Tivemos momentos ruins e tantos outros maravilhosos. Mas de uma coisa eu não poderei negar, este foi um relacionamento muito importante e marcante para mim. Tanto que eu sempre defendi a filosofia de que ex bom é ex morto, mas ele será uma exceção à regra. Terei um enorme prazer em tê-lo como um amigo. Nesta história toda ele ganha com o lado financeiro e com toda a sua vida ultra bem sucedida, enquanto eu saio com uma mão na frente e outra atrás (com uma pequena pensão, ele quis fazer isso por mim e por eu estar desempregado, aceitei), mas eu ganho em paz. Ele não. Mesmo eu estando longe, mesmo não pertencendo mais à vida dele, ele ainda continuará vivendo os seus fantasmas.

Farei um resumo do meu fim de semana.

Sábado – Levantei cedo para terminar de organizar as minhas coisas para a mudança. Fiquei um tempo na Internet (pois sabe-se lá quando eu terei acesso outra vez). Assim que o Be chegou, organizamos as coisas no carro e ele me trouxe de volta para a casa de minha mãe. Não trocamos uma única palavra durante todo o trajeto. Chegamos. Abri o portão e ele entrou com o carro. Descarregamos o carro, e tudo isso em silêncio absoluto. Terminado, fui abrir o portão para ele ir embora (não consegui dar um último abraço, eu estava chateado, dolorido e revoltado – o maior motivo do cara me abandonar foi pelo fato de eu ser HIV Positivo. Quer dizer, até o dia anterior a notícia ele dizia que me amava e que preferia a morte a me perder, e no dia seguinte eu me torno uma aberração?!). Ele entrou no carro e ali mesmo na garagem, desabou a chorar. Minha mãe o abraçou, pediu para que ele ficasse, mas ele preferiu ir embora e assim o fez sem olhar um segundo para mim.
Guardei tudo bem mais ou menos no meu quarto, e fui para São Paulo para dar o som na peça X. A peça correu tudo bem, graças a Deus. Saímos do teatro e junto com o elenco, fui ao Piolim na Rua Augusta, um restaurante italiano. Ficamos por lá até mais ou menos 1h da manhã, e depois fomos embora. A Tetê nos levou (...) digo NOS, porque eu dormi na casa do Bru – meu amigo que sabe que sou (+) -.
Logo que deitamos aconteceu o que já esperávamos, nos beijamos. Ficamos nos amassos, mas não passou disso. Tanto durante a noite quanto pela manhã. Eu fiquei doido para transar com ele e ele também ficou, isso estava explicito nos olhos, desejo e respiração dos dois. Mas não houve sexo. No outro dia ele veio me dizer que ficou esperando eu tomar iniciativa, e respondi que se fosse em outros tempos eu teria acabado com ele na cama, mas que agora é diferente. Para que transássemos, ele precisaria estar de comum acordo.

Nós não estamos juntos e vejo que ele também só está a fim de curtir, sei lá. E estou achando isso bacana. Não temos compromisso algum, porém damos uns pegas quando nos encontramos.

Domingo – Último dia da temporada da peça. Foi a melhor apresentação. O elenco deu um show de bola. Ri com a mesma intensidade que chorei. Foi muito triste, mas uma tristeza boa, gostosa (...) só quem é ator para entender isso.
Terminada a peça, eu vim embora. E foi no metrô que algo aconteceu e que pode vir a acontecer.
Eu estava em pé, apoiado em um dos ferros do metrô, não havia lugar para sentar. Bem na minha frente estavam dois rapazes e uma moça. Um deles, muito bonito, branquinho, malhado e muito bem vestido já chamou logo a minha atenção. Dei algumas olhadas para ele durante o percurso. Foi quando derepente nossos olhares se cruzaram. E daí até a estação da Sé, ficamos neste namoro com o olhar.
Eu não esperava nada, afinal eu jamais iria descer na estação e abordá-lo! Nunca fiz isso e creio que jamais faria. Um pouco antes de o metrô parar, ele olha para mim e me cumprimenta com um balanço de cabeça e piscar de olhos. Fiquei com as pernas bamba e ao mesmo tempo vermelho de vergonha, pois eu sou muito tímido. Enfim, eu estava subindo a escada rolante quando olhei para o lado e o vi no corredor me dando sinal, como quem diz: “E aí, você vai embora?”. Minhas pernas amoleceram tanto que eu achei que fosse cair. Subi e tornei a descer para encontrá-lo. Quando nos cumprimentamos e vi o sorriso perfeito dele, fiquei hipnotizado.
O cara é um Deus! Lindo, perfeito! Corpo delicioso, pele maravilhosa, uma dentição perfeita, cabelo impecável e que voz (...). Conversamos um pouco, aquela coisa de trocas de nomes, idades, profissões, gostos de baladas e etc.
Ele não é fã de música eletrônica (assim como eu), ele é apaixonado pela língua portuguesa (sou formado em letras), mostrou ter muita cultura (eu particularmente sou mesmo convencido e prepotente nesta área), hiper discreto (assim como eu), detesta gay afetado (como eu) (...). Coisas em comum, num primeiro momento foi o que não nos faltaram. Detalhe da profissão dele: Médico e 29 aninhos.
Ele pediu para que eu anotasse o telefone dele e que se possível, ligasse para ele ainda naquela noite. Mandei uma mensagem enquanto eu vinha embora, e não deu um minuto e ele já retornou a ligação dizendo que havia gostado de me conhecer e que se surpreendeu demais comigo.

Eu faço o estilo surfistinha, despojado, molecão e mesmo tendo 26 anos, aparento ter 18 ou menos, quanto muito 22 anos; e quando me conhecem e veem que sou professor, ator, falo bem e bla bla bla (...) geralmente eu causo mesmo este impacto de surpresa.
Resumo: ele já me ligou hoje, mas não deu para eu atendê-lo. Ele termina o plantão às 20h, horário que ligarei para podemos marcar algo.

É isso, estou de volta à minha Terra, em paz, Caminhando e Cantando e Seguindo a Canção.


06 de outubro de 2009

10h23

Meu primeiro dia ontem na minha nova casa, digamos que foi normalmente entediante. Nada do que eu fazia me supria, mas isso é normal para quem estava habituado a uma outra rotina e teve que mudá-la abruptamente.
O que eu preciso mesmo é ocupar a minha cabeça com o trabalho, mas eu não o tenho. Preciso voltar a lecionar, mesmo não querendo e não amando tal profissão, mas parado não dá para ficar! Quero mudanças imediatas em minha vida, viver estes dias que me restam (que eu não sei se são poucos ou muitos) da melhor maneira possível.

O Maurício me ligou ontem, ficamos uns três minutos ao telefone. Ele fala muito rápido, parece estar afobado é engraçado. Ele cogitou de fazermos algo no sábado. Eu disse que tudo bem, não vejo problema algum, pelo contrário. Espero que ele não queira se enfiar em alguma boate da vida, Deus me livre passar a noite ao som de música eletrônica.

Aí é que mora o perigo e o meu medo.
Nós nem saímos ainda, mas eu já fico me fazendo uma série de perguntas. No domingo, pensativo no trem é que mais uma vez a minha ficha caiu.
Suponhamos que nos apaixonemos? E aí? O cara é médico, sei lá (...) não é qualquer um que aceita este lance de HIV. Eu mesmo não namoraria um (+) sendo eu (-), não mesmo! Diante destas situações é que eu fico pensativo e mal. Eu posso dizer que não transo sem preservativo por decreto nenhum por N’s motivos. Posso dizer que já levei um susto com algo, que um amigo meu se contaminou, morreu e isso me traumatizou (...) sei lá! Desculpas é o de menos e o que não me falta. A questão é: hoje eu estou com o meu CD4 a 1280, mas eu não ficarei lindo, belo e formoso para sempre. Chegará um momento em que eu precisarei de medicação e aí? Suponhamos que ele queira viver uma vida a dois, como é que eu vou esconder isso dele? Se eu passar um final de semana na casa dele, como esconder? Se fizermos uma viagem, como omitir?
Quando eu cito o Mauricio, na verdade estou falando de um todo! Não posso ter um relacionamento com quem não sabe da minha sorologia, e como contar? Não é fácil, eu não estou preparado para isso. Quando eu revelei ao Bru, só o fiz porque o nosso clima meio que havia acabado, pelo menos para mim. Na verdade eu nem sei o porque dele ter voltado. Se isso vai dar namoro só Deus sabe, mas confesso que está interessante esta relação sem compromissos e de trocas de carências. Ele é um rapaz bonito, bem sucedido, cara do bem; meio puta, mas ainda do bem, Rs.

Ando muito confuso. Mas pela primeira vez em 26 anos de vida, eu não estou com aquela necessidade louca de ter alguém. Acho que é por isso que o Bru e agora o Maurício entraram na minha história.

O Bru é o tipo de cara que, não é lindo e nem tem um corpo perfeito; mas é um cara legal, é bonito, inteligente, responsável – um bom partido. Ele é muito parecido comigo. Quer se destacar em tudo, não aceita qualquer não como resposta, quer ser o centro das atenções, adora pegar determinadas funções apenas para se destacar, super preocupado com a aparência e sua posição social (...) somos muito parecidos. Ele é um cara super modinha. Roupas somente de marcas, e não é qualquer marca, são as melhores e mais caras. O tipo de cara que não é afeminado, mas só de olhar para ele saca que é gay. Ele é do bem e eu teria um relacionamento sério com ele numa boa.

Quanto ao Maurício eu não tenho muito que falar, afinal eu o vi no metrô e batemos um papo de no máximo 5 minutos. Mas só para descriminá-lo: ele é um pouco mais baixo do que eu, (eu tenho 1m84cm), branquinho, cabelo curtinho, dentição perfeita, pele perfeita, malhado, se veste bem e pelo visto também se preocupa com marcas e moda. Isso é só o que eu posso dizer do cara, apenas o superficial. Uma definição bacana: ele é o meu tipo de homem – sarado, bonito e gostoso.


O engraçado é que eu pouco me importo se dará certo ou não, pela primeira vez eu estou vivendo e deixando as coisas acontecerem. Não tenho nada fixo com o Bru, até então somos dois grandes amigos que se beijam. Por isso eu não me sinto “sujo” em derepente me encontrar com o Mauricio no sábado.

O Edu virá em casa amanhã para me trazer o dinheiro. Ele preencheu o cheque errado e por isso eu não pude descontá-lo. Eu estou sendo super carinhoso com ele nos torpedos e ele tão frio. Estou querendo ser simpático demais e manter uma amizade, enquanto ele está quase que indiferente. Mais uma lição a aprender.


07 de outubro de 2009

16h04

Faltam exatos 30 dias para a minha estréia. O ensaio ontem foi bacana, assim como todos tem sido. A contagem regressiva começou, estou tenso e muito apreensivo. Não funciono sob pressão e tenho medo de esquecer o meu texto na hora. Claro que isso é um medo que durará até o dia da estréia, depois isso passa, tirarei de letra. A peça está ficando linda demais, será muito bacana. Exceto pelo figurino. A proposta da roupa de plástico não achei muito bacana. Além de esta ser uma peça extremamente cansativa para os atores, nos ensaios sem exceção, todos saem pingando suor (...) imagine roupa de plástico?!
Ontem fiquei esperando o Bru me convidar para dormir na casa dele, o que não aconteceu. Eu saquei qual é a dele. É um cara que não vai querer nada sério comigo (e acho que nem eu quero), mas que adora confete. Ou seja, ele quer ter alguém meio que lambendo os pés dele (...) Ah Ta!

O Mauricio me enviou um torpedo hoje, não era nada demais, a penas me desejando um bom dia. Retornei dizendo que ligaria a noite.

Amanhã tenho quatro aulas no Gandra. Fazer o quê? Tenho que retornar ao trabalho. O foda é saber que não terei salário, ficará tudo no banco. Estou devendo aquela porcaria.

De ontem para hoje me bateu uma pequena depressão, mas isso se dá pelo tempo ocioso que estou tendo. Quando estava no apartamento, por mais que eu estivesse desempregado, eu tinha a Internet a minha disposição. Entrava no MSN e lá eu tinha toda uma galera para conversar e passar o meu tempo. E agora aqui na minha mãe, sem Internet e sem nada (...) está um porre! E aí eu acabo tendo um tempo maior para ficar pensando no que eu perdi, no que eu poderei perder, no que eu quero e não tenho (...) enfim, fico viajando. Voltar a lecionar talvez seja mesmo a melhor alternativa. Ai gasto meu tempo escrevendo estas bobagens.


22h24

O Be está para chegar, estou com o coração na mão. Parece loucura, mas eu não sei se é por eu estar absolutamente entediado e sem nada para fazer, ou só agora no quarto dia de separação é que eu estou sentindo saudades dele de verdade. Acho que a ficha está caindo agora, não sei explicar o que é, mas só de saber que logo ele virá em casa para me trazer o dinheiro, meu coração está saltando pela boca e eu sei que vai ser pior vê-lo, trocar meia dúzia de palavras e vê-lo indo embora. Já vi que terei uma noite do cão e uma quinta extremamente insuportável.

Falei com o Mauricio esta noite e marcamos de sairmos no sábado. O foda é que eu tenho ensaio no domingo e tenho que levar roupa de ensaio. Vou encontrar o cara de mochila? Foda, meu! Vou passar um torpedo para o Bru e pedir para ele levar uma bermuda e uma camiseta velha para mim.


08 de outubro de 2009

23h23

Esta foi uma daquelas noites em que eu não dormi bem. Tive sonhos esquisitos e me revirava de um lado a outro a todo instante, na cama. Acordei antes mesmo das seis da manhã e não mais dormi. O desânimo era tamanho que não tive forças para dar aula, liguei na escola e inventei uma história qualquer justificando a minha ausência.
Com o intuito de distrair a minha mente, fui para o centro comercial da cidade. Descontei o cheque que o Edu me deu, e comecei a fazer uma cagada atrás da outra. Uma boa e nova roupa sempre dão um ânimo a mais, nos faz sentir mais vivo, bonito (...); me deu uns cinco minutos de “Eloquisa” e gastei R$240,00 em uma calça e duas camisetas – estou arrependido de ter gastado isso tudo em três peças de roupas -, detalhe, cheguei em casa e vesti a calça...Resultado: acho que não gostei. Ela ficou uma coisa meio Jonas Brothers, agarrada nas pernas (...) destacou minhas coxas, mala e bunda (...), mas me senti um peão com aquelas calças jeans justas.
Não contente comprei um kit Subwoofer para o meu PC, faz tempo que eu queria deixá-lo com um som bacana. Foram-se mais R$150,00. Com a cagada já feita, resolvi dar mais dois peidos: comprei uma mochila nova (linda e radical) e duas cuecas (daquelas que impõe moral na hora de alguém tirá-la para mim); o quanto gastei nestes dois últimos itens eu prefiro nem mencionar para não enfartar diante do PC.
Aproveitei que eu estava na cidade e fiz o exame médico para a academia. Amanhã mesmo faço a minha matrícula e volto a malhar. O foda é que eu não terei grana para comprar a Bike, e terei de ir a pé, é meio longe de casa.

No meio dos meus surtos financeiros o Mauricio me liga perguntando se eu queria encontrá-lo hoje. Aceitei de imediato! Tudo o que eu mais quero é agarrar aquele homem logo, beijá-lo loucamente e ter uma imensa, bela e prazerosa noite de sexo com ele. O cara é um tesão! E quando eu digo tesão, pensem num ultragalã de televisão e ou cinema; ele é mais ou menos isso, só que para mais (...) bem mais! Tive muita sorte e não posso deixar esta sorte escapar pelas minhas mãos. Tomarei todos os cuidados com ele, pelo motivo que julgo desnecessário citar. Mas eu não fui encontrá-lo. Tomei um banho, cuidei das partes intimas, (hehe), me troquei (roupa nova e lindo), e quando eu estava saindo de casa chega a minha mãe num astral péssimo. Abraçou-me e começou a chorar, perguntando se ele falhou muito comigo como mãe; se houve muitos momentos em que eu precisei dela e por causa do trabalho ela acabou não me dando a devida atenção, e bla bla bla.
Ela teve uma briga com minha irmã por telefone durante a tarde. Não procurei entender muito e tentei consolá-la. Bem verdade que ela se sente culpada por eu ser gay e agora, por ser soropositivo. Tentei dizer a ela que isso não tem nada a ver, mas vi nos olhinhos o que ela pensa de fato. Fui para o ponto de ônibus e fiquei esperando o latão. Uma garoa forte e insuportável, somado a um frio chatíssimo, contribuiu para que eu ligasse para o Mauricio e desmarcasse o nosso encontro. Ele entendeu e demonstrou isso. Não consegui seguir viagem depois do astral que minha mãe chegou em casa e conseqüentemente me contaminou. Mas está em pé! Sábado eu saio com aquele monumento escultural!

Amanhã acordo cedo outra vez, e lá vou eu entrar numa sala de aula. Faz tanto tempo que eu não faço mais isso que nem sei se ainda tenho prática. Se a turma de fato ficarem comigo, será bacana e terei ânimo, um pouco, mas terei. Mas o que eu não suporto é ter que ficar eventuando. Sem falar que estou devendo no banco e tudo o que eu trabalhar não verei um tostão furado, porque o banco irá sugar.
Para me manter decentemente até o fim do ano, eu terei que mexer no meu FGTS, mas ao mesmo tempo eu fico pensando: “Minha virada de ano 2008/2009 foi em Paraty. Uma viagem inesquecível, momentos maravilhosos (...) e este ano como e onde será?” – queria fazer uma viagem bacana, ir para algum lugar. Nem que fosse em Analândia mesmo, embora não seja lá que eu gostaria de passar a virada do ano. Eu queria ir para praia, sei lá, para qualquer lugar! Com a graninha do meu FGTS eu consigo pelo menos fazer uma viagenzinha bem ralézinha, mas consigo. Mas também é aquilo. 3 dias de passeio e 10 anos de FGTS perdido. Já estou até vendo a minha mãe querendo passar a virada do ano na casa de algum parente chato, o que não é difícil porque todos os meus parentes são chatos.


09 de outubro de 2009

20h36

Sinto falta de ter alguém. Alguém para abraçar, alguém para beijar, alguém para chamar de meu, alguém com quem conversar ao telefone, alguém com quem planejar um fim de semana (...) Não sei ser feliz sozinho, fato!
Dei uma passada de olhos em agendas de anos anteriores e vi que a minha vida é uma merda! Sempre a mesma coisa, sempre na mesma pindaíba (...) momentos maravilhosos em um relacionamento, e na página seguinte volta a mesma merda.
Cansado desta vida, sabe?
Hoje é sexta-feira, feriado prolongado. Na televisão, não para de mostrar o movimento das rodovias rumo ao litoral e Tietê. Dá uma vontade de viajar, de sair, de distrair a cabeça. De ter meu namorado e juntos passarmos um fim de semana diferente.
O fim do ano está chegando. Ano passado eu estive em Paraty, este ano sabe-se lá onde irei parar. Provavelmente será na casa de algum parente. Isso é uma droga. NÃO QUERO ISSO!

Acessei o Orkut do Be, e ele já começou a trocar scrapt com “antigos amiguinhos – (caso)”; isso me deixou mal também. Estou com muita saudade dele, da minha vida ao lado dele, de tudo o que vivíamos e que fazíamos. Ele nunca se importou com câmera digital, sempre achou isso uma bobagem, um gasto desnecessário e ele escreveu para o irmão no Orkut, perguntando se ele sabe onde vende uma câmera boa e barata. Para quê?
Tenho certeza absoluta que com a sorte que ele tem, o exame de confirmação de Hepatite C dará negativo. Com isso, ou até mesmo antes disso, ele já estará de caso novo. O André escreveu no Orkut dele algo do tipo: “Estou olhando ansioso. Nosso fim de semana será tudo de bom”. Aposto que eles irão a The Weeck. APOSTO!
Preciso esquecer dele. Não me importar com o que ele faz ou deixa de fazer, com quem anda ou deixa de andar. Me conheço. Só conseguirei fazer isso com um novo amor.
Mandei um depoimento para o Rodrigo, na esperança de ele responder. Vasculhando minha antiga agenda telefônica, eu enviei um torpedo para ele, mas até agora eu não tive resposta. Jundiaí em peso diz que ele tem HIV. Eu não duvido. Ele era forte, gordinho e do dia para a noite emagreceu, e não para de estourar Herpes na boca dele. Tenho quase que certeza disso. Seria uma boa se ele me olhasse novamente. Provavelmente ele irá me evitar por ser (+), mas se eu não tenho certeza que ele realmente seja, como darei um toque? Um Q de que eu também sou? Tudo muito complicado.


14 de outubro de 2009

11h13

Cada vez mais fica nítido de que não existem pessoas felizes, e sim pessoas com momentos felizes. E como não podia ser diferente comigo foi à mesma coisa neste fim de semana.
Sábado me encontrei com o Mauricio. Jantamos no Piolim, na Augusta. O papo fluiu de uma maneira bem gostosa. Ele é um cara muito do bem, responsável, bom papo e claro, gostoso. Mas até então eu ainda não tinha certeza disso. Saímos do restaurante às 3h da manhã, e fui surpreendido quando ele disse querer ficar mais a sós comigo. Paramos num hotel (motel) na Bela Cintra. Mal entramos e já nos agarramos. Foi maravilhoso. Se de roupa ele era um sonho, sem ela (...). Corpo escultural, boca deliciosa, cheiro maravilhoso, e um (...) PERFEITO!
Fiquei com ele sem neuras e sem culpas. Curti a minha noite. É claro que transamos com preservativo, mas tirei completamente da minha cabeça o assunto HIV. Abdiquei dos meus pensamentos e vivi. Tive uma noite linda e maravilhosa. Transei após 5 meses de recesso forçado.
Dormimos juntos, abraçados. Assim que amanheceu, fomos a uma padaria ali mesmo na Bela Cintra e tomamos café da manhã. Ele se foi e eu fiquei. Fiquei feliz, contente, satisfeito e sorrindo à toa. Voltei para o hotel, pois eu não havia conseguido dormir durante a noite. Tirei um cochilo, tomei um banho e fui para a Oficina que era praticamente ao lado. Almocei em um restaurante próximo ao teatro e fui para o ensaio.
Às 18h, horário que terminou o ensaio, liguei para o Fulano do Radar. Marcamos de nos encontrar e ele foi me buscar em frente ao Commune. Demos algumas voltas entre a Augusta, Frei Caneca e Paulista, até pararmos em um café numa travessa entre a Augusta e a Bela Cintra. Ali conversamos um pouco, e logo saímos. Ele parou o carro na rua da Consolação (na altura dos velhos e saudosos tempos em que a Consolação era a Avenida Gay de São Paulo). Ali, no carro, conversamos sobre tudo. Sobre a nossa condição de soropositivos e etc.
RÁPIDA ANÁLISE DO FULANO:
ele não é um cara bonito, com um corpo que chame a atenção. Não é um cara da qual eu veja na balada e me interesse. Mas me senti seguro ao lado dele. Pude ser o que hoje sou. Conversamos abertamente, sem mentiras, sem receios, sem preocupações, neuras (...), isso foi o que eu achei muito bacana. Quanto a transar com ele, confesso que senti vontade sim, mas eu ainda me sinto inseguro. Como ele mesmo disse, ele apresenta um risco grande para mim por já estar tomando medicação. Isso me deixou receoso, mas não a ponto de não me fazer a vir transar com ele.


Fiquei esperando ele me ligar ontem, e não aconteceu.
Fiquei esperando o Mauricio me ligar ontem, e não aconteceu.

O Be resolveu dar sinal de fumaça ontem. Sábado, indo a São Paulo, passei em frente ao apartamento (me bateu uma dor no peito, uma saudade) e o ap estava completamente apagado, não havia ninguém. Eram 20h. Desconfio de que ele tenha ido viajar com o André, Sérgio, Denis e Rogério.
Em relação a ele, eu acho que estou bem.


14 de outubro de 2009

21h03

A minha suspeita em relação à viagem do Be, foi confirmada hoje. Ainda não sei para onde ele foi, mas eu suspeito de que tenha ele tenha ido para o Rio de Janeiro. Se ele realmente fez isso, ele morreu para mim. Ele tem todo o direito de viajar para onde quiser, mas eu não vou admitir a mentira dele. Ele terminou comigo alegando não estar preparado para cuidar de alguém como eu, e porque ele queria se encontrar e lutar contra a opção gay dele. É claro que ele será gay eternamente, ninguém opta, fato! Mas ele então poderia ter jogado claro, e não ter mentido para mim. Inventado um milhão de motivos para o fim, quando na verdade era um só: ele me rejeitou por eu ter Aids e queria conhecer novas pessoas, beijar e transar muito. Por isso que ele me deu a grana, por isso toda aquela atenção. Ele estava se sentindo culpado por estar me enganando. BABACA!

Hoje eu estou num péssimo dia, num astral horroroso.
Estou me sentindo tão só!
Precisando tanto de um colo.
O Mauricio disse uma coisa muito importante para mim, que eu adoraria por em prática, mas estou vendo que não conseguirei. Ele disse assim em relação a ele mesmo: EU ME BASTO. É isso aí mesmo, eu deveria pensar assim. Que eu me basto, e não ter que precisar de mais ninguém para a minha felicidade.








terça-feira, 29 de setembro de 2009



Que insônia maldita, eu estava dormindo tão docemente (...)
Cá estou, na Net e sem nada para fazer.

Como eu queria ser bom em tomar decisões!

Minha Nada Mole Vida!

Aqui estou. Peguei uma gripe lascada, daquelas que nos derrubam; seguida de uma infecção na garganta e a minha primeira suposta Herpes. Vendo esta pequena bolha no meu lábio inferior, é que a ficha de fato está caindo. Se isso está acontecendo, surgimento de Herpes, é porque a coisa já começou! Será que daqui em diante entrei numa contagem regressiva?
Eu estava tão bem, tão desencanado dessas coisas de HIV, mas aí vem e aparece esta coisa e me deixa assim. O que tenho a fazer é aguardar para ver no que vai dar e torcer para que tudo dê certo.

No meu último post eu havia comentado sobre o meu amigo e bla bla bla (...), pois bem, aquele clima que havia entre nós há uns meses atrás, voltou; ou meio que voltou. Eu estou me segurando ao máximo e chego até mesmo a ser meio frio, é que sei lá, não me sinto seguro sabe? Não por ele ser negativo, pelo contrário, o fato dele me aceitar como sou é o máximo, é lindo! Mas eu tenho medo de ser apenas uma fase de carência dele, e eu já sofri tanto no amor, estou sofrendo com este diagnóstico (...) quero evitar mais sofrimentos, acho que já chega! Tantas coisas eu ainda terei que enfrentar que não preciso de mais uma dor de cabeça. Mas ao mesmo tempo é tão difícil não se apaixonar por ele. Estou com medo e confuso, até mesmo porque ele não deixa muito claro quais são as reais intenções dele.

- O identificarei aqui como Felipe (gosto deste nome) –

Ele diz para deixar rolar e ver no que dá. Mas neste deixar rolar eu posso me apaixonar e me dar mal, enquanto ele pode sei lá...Suprir a carência dele, encontrar uma outra pessoa e ou até mesmo voltar para o ex dele. Não estou pensando em casamento, nada do tipo! Só não quero sofrer mais. Mas independente de qualquer coisa, eu o adoro. Acima de tudo, ele é um grande amigo.
O que vai acontecer daqui pra frente, só o tempo dirá!

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

QUE DIA!


Cada vez menos eu tenho perspectivas sobre algumas coisas.
Saco cheio de tudo, sabe? Vida profissional uma droga, vida amorosa uma overdose de bosta (...) Tudo o que eu queria era ser "bacana"; nem estimo ser "feliz", o "bacana" já me contenta.

Domingo eu tive uma madrugada maravilhosa, seguida de uma manhã explêndida; mas infelizmente os bons momentos não duram para sempre e precisamos levantar para encarar a nossa realidade. Acabei de assistir Entre Lençois, e foi mais ou menos aquilo o que me aconteceu.

Domingo eu saí do meu ensaio e fui dar som numa peça em cartaz na Rua da Consolação. Saí de lá na cia. do meu amigo, que faz teatro comigo; e fomos para o apartamento dele. Nos trocamos, tomamos banhos e fomos ao encontro de uma amiga que também faz teatro com a gente. A encontramos no Jabaquara, onde os dois moram. De lá fomo a inauguração da nova GAMBIARRA (balada maravilhosa que eu amo).

Chegando lá já foi aquela coisa, gente bonita para todos os lados.
Não fui com a intensão de beijar ninguém, nem nada disso. Fui apenas para curtir.
O fato é que durante a balada eu passei a trocar olhares com um carinha tudo de bom, daqueles principezinhos, entende?
Eu sou tímido, não fui conversar com ele e vice versa. De repente ele desaparece da balada. Fiquei na boa, curtinda o meu som. Horas depois, quando eu menos espero ele me aborda, e papo vai, papo vem - NOS BEIJAMOS.

NOOOOOSSAAAAAA

Eu já nem lembrava mais como era flertar com alguém!
3 anos e meio de relacionamento, nos faz ficar meio "tchongo".
Eu já havia me esquecido daquela sensação do novo, do desconhecido.
De um lábio diferente, uma pele diferente, um cheiro diferente (...);
Foi naquele momento em que eu percebi, o quão mágico é um beijo!

Ele tinha uma pegada carinhosa, um jeito de mover seus lábios sobre os meus e de brincar com minha língua (...) de um modo inexplicável. Ele foi hiper romântico e carinhoso comigo. Do tipo que abre a porta do carro.

Eu precisava viver aquilo. Eu precisava sentir aquilo.
Me senti vivo novamente.

Não fiquei dando importância para o fato de eu ser HIV Positivo.
Não queria sexo! O que eu queria era me sentir vivo, quisto, acolhido!
Queria que me olhassem sem piedade; que me abrassassem sem pena; que me beijassem sem pensar no que eu carrego no sangue.

Ele me deu vida!
Me deu luz!
Energia!
Saúde!
Amor (...)

Foi uma noite de Cinderela!

A manhã chegou e tudo se esvaiu. Cada um seguiu o seu rumo.
Fui para a casa do meu amigo, que no passado já havia rolado uma certa química mas ficou apenas nos olhares e papos bacanas no msn.

Dormimos.
Quando eu acordei, ele estava dormindo abraçado a mim.
Eu o beijei.
E tivemos um momento mágico!
Foi maravilhoso tudo o que vivemos (...) Cada segundo, cada instante!

E sabe porque foi maravilhoso?
Porque ele me teve, me quis e me desejou sem nenhum medo.

ELE SABE QUE SOU POSITIVO.

Isso me deu ainda mais vida para encarar a vida e perceber que ainda posso ser feliz.

Mas infelizmente os sonhos acabam quando acordamos.
E cá estou: acordado de volta na minha cidade, neste apartamento, sozinho e completamente solitário!

Minha válvula de escape?
BLOG, ORKUT E MSN!

Isso não é vida (...)

E aí aquela vida se dissipa, e tudo volta como era antes.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

sexta-feira, 11 de setembro de 2009


São tantas coisas a desabafar, a entender, a buscar por uma resposta.

Já não sei mais o que devo fazer, como devo agir, que atitude tomar mesmo sabendo qual seria a mais cabível.


Meu relacionamento está uma MERDA, meu "esposo" fez o teste de HIV e para a nossa surpresa, deu negativo. Eu deveria estar feliz por isso, mas confesso que eu não estou. E aí eu parei para me questionar: porque não estou feliz com tal diagnóstico? Foi então que eu comecei a colocar em prova este meu amor. Será que eu o amo de verdade? Será que a minha decepção na sorologia negativa dele foi algo como um "aborto", para quem muito quiz dar o golpe da barriga? Será que eu o amo muito mais do que a mim mesmo? Eu o acuso de estar comigo por conveniência, mas será que quem está por conveniência sou eu e não ele?


Começarei do início.


Desde o meu diagnóstico até o resultado do exame dele, foram em torno de 35 dias de angustia. Na manhã do dia 19 de agosto de 2009, recebo um torpedo às 7h30 da manhã, com os dizeres:


"Amor você não vai acreditar. Deu Negativo."


Ao ler esta mensagem meu mundo caiu. Tive a mesma sensação do dia em que recebi a notícia da minha sorologia, pois os medos em relação ao nosso relacionamento voltaram.


Ao chegar em casa ele me relatou que era HIV Negativo, mas que havia dado positivo para Hepatite C. (uma coisa é fato, ninguém transmitiu nada a ninguém).


Desde então o nosso relacionamento se afundou numa crise sem tamanho.

Antes do resultado de seus exames, ele estava levando uma vida com a consciência de ser portador do HIV. Mudamos a alimentação drasticamente, havíamos parados de beber, eu larguei o cigarro e juntos, entramos na academia. Foram dias maravilhosos. Ele era carinhoso, presente, prestativo na parte sentimental e me procurava sexualmente (mesmo não havendo penetração).


Hoje, após os resultados ele voltou a ser como era antes. Não vai mais à academia, não se alimenta mais adequadamente, voltou a beber, a me ignorar dentro de casa e não me procurar sexualmente. Enquanto ele achava que era (+) estava 100% do lado, me dando força, me acolhendo, me amando (...) hoje, eu sou uma peça de vidro para ele: frio e transparente.


A cabeça dele está a mil e eu tenho esta consciência. Mas não dá mais para entendê-lo. Eu sempre o compreendi e busquei estar ao lado dele, mas agora não dá mais.




  • Ele me confidenciou que realmente não se aceita como gay. Ele sonha em construir uma família e ter filhos, mas que ao mesmo tempo não se vê nesta situação. Ele vive um conflito interno;


  • A família dele nem imagina que ele é gay e que vive um relacionamento de 3 anos;


  • Por ele viver este conflito interno, ele é extremamente apático em sexo, mas aí é que está o fio da questão: ele sente tesão por outros caras que vê na rua, na internet, tv (...) e comigo ele não sente nada. E isso não vem de hoje não, isso vem de muuuuitoooo tempo;

São tantas questões tão complicadas a se colocarem, mas que já não me vejo mais com saúde de querer contar, explicar e ou escrever!!!


Não estou feliz neste relacionamento e sei que ele também não está.

Bem verdade que ambos estamos um com o outro por conveniência.


CONVENIÊNCIA DELE: aguardar o resultado do exame que comprovará se ele é portador da Hepatite C. Caso ele seja, será comôdo ele continuar com esta vida de Hanna Montana, em dois mundos; foi como minha psicóloga disse, é gostoso viver no mundo de fantasias porque a realidade é muito difícil. E é verdade, ela tem absoluta razão. A conclusão que eu tiro disso é de: se der positivo, ele fica comigo, pois se ele tem medo de se firmar gay quem dirá um portador; se der negativo, é bem capaz de ele me ajeitar de 4 e me chutar!


CONVENIÊNCIA MINHA: medo, talvez! Antes viver ao lado dele sem amor, do que viver solteiro, sem ninguém, solitário. Não acredito em amor à distância, para mim, namorado tem que viver na mesma cidade! E ainda assim eu não acredito. E como namorarei aqui? Cidade do interior, muitos devem ser portadores, mas como descobrir? Viver uma relação sorodiscordante? Não sei se eu tenho estrutura para fazer tal revelação e sofrer uma rejeição, sem falar do risco que eu corro de cair na boca do povo.


É tudo muito complicado, não sei o que fazer.

E para somar a isso tudo, eu estou desempregado e isso está atrapalhando demais o nosso relacionamento. Ele é quem está segurando a barra de casa sozinho!!!


Minha psicóloga pediu para eu dar um tempo a ele, o mesmo disse um amigo que fiz no site RADAR; mas só eu sei que há 3 anos e meios que eu venho dando este tempo a ele.


Farei isso, tentarei dar este tempo. Mas este tempo pode ser menos do que eu imagino. A verdade é que eu já estou decidido e convicto de que o nosso relacionamento acabou e não há mais solução, pois para tal solução eu preciso nadar lado a lado, e não sozinho como venho fazendo durante este tempo todo. Eis uma decisão que não cabe somente à mim.